23.jan.2026

Quando a separação dos pais acontece antes da criança conseguir dizer o que sente
Quando a criança ainda não consegue explicar o que sente, mudanças importantes no ambiente familiar tendem a ser vividas de forma intensa. A separação dos pais, nesse contexto, não é apenas um acontecimento externo, mas algo que atravessa o mundo emocional da criança, muitas vezes sem encontrar palavras para ser elaborado.
Como já discutido anteriormente, o sofrimento infantil nem sempre aparece na fala. Ele se manifesta no comportamento, no corpo, nas relações e nas pequenas alterações do cotidiano. Diante da separação dos pais, esse sofrimento pode ganhar novas formas, justamente porque a criança ainda está construindo recursos psíquicos para compreender o que se transforma ao seu redor.
Na psicanálise, entende-se que a criança organiza sua experiência a partir do vínculo com aqueles que exercem funções fundamentais em sua vida. Quando esse arranjo se modifica, algo da sua sensação de continuidade pode ser abalado. Mesmo quando a separação ocorre de maneira respeitosa, a criança percebe a mudança e tenta, à sua maneira, dar sentido ao que acontece.
O que a criança sente nem sempre é o que ela consegue nomear
É comum que os pais esperem que a criança “fale sobre o que está sentindo” em relação à separação. No entanto, essa expectativa nem sempre corresponde às possibilidades emocionais da infância. A criança pode sentir tristeza, medo, raiva ou confusão sem conseguir organizar essas experiências em palavras.
Nessas situações, o silêncio não significa ausência de sofrimento. Pelo contrário, muitas vezes indica que aquilo que é vivido ainda não encontrou uma forma simbólica de expressão. A criança pode reagir com regressões, dificuldades escolares, irritabilidade ou mudanças na forma de se relacionar, expressando algo que ainda não pode ser dito.
Do ponto de vista psicanalítico, esses movimentos não devem ser vistos apenas como “problemas de comportamento”, mas como tentativas de elaboração. O sintoma aparece como uma linguagem possível quando a palavra ainda não está disponível.
Fantasias, culpa e a posição da criança na separação
Outro aspecto importante é que a criança
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