7.jan.2015
Há cada vez mais crianças e adolescentes deprimidos nos consultórios dos pedopsiquiatras e psicólogos infantis e nos hospitais. Além de estar a aumentar nestas faixas etárias, a depressão manifesta-se cada vez cedo. A culpa, acreditam os especialistas, é sobretudo do clima econômico e das dificuldades que as famílias atravessam.
O presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente sublinha que mesmo sendo muito pequenas, as crianças percebem os dramas domésticos. “Há famílias em que pai e mãe estão desempregados e não têm dinheiro sequer, para comprar os livros escolares”, exemplifica Bilhota Xavier. Os filhos são absorvem o ambiente que encontram em casa: “Pais extremamente ansiosos, preocupados, pessimistas e angustiados em relação ao futuro passam esses estados de espírito para os filhos”.
O pediatra Mário Cordeiro avisa, por outro lado, que os pais – com determinadas conversas – contribuem para o mal-estar dos filhos: “Por vezes damos uma perspectiva da vida adulta muito negra, como se fosse um corredor da morte e houvesse um determinismo de impostos, corrupção e cortes, quando a vida de adulto tem preocupações, mas também momentos felizes e deve significar, para as crianças, ser mais livre e ter mais autonomia.”
O meu filho está deprimido?
Há sinais a que os pais devem estar atentos. Na adolescência a tristeza constante e prolongada não deve ser encarada com ligeireza, sobretudo se for acompanhada por sinais somáticos – como excesso de peso ou magreza extrema, insônias, isolamento dos amigos e das amizades virtuais, ausência de comunicação, perda de interesse por atividades que antes eram importantes, desinteresse por tudo, quebra no rendimento escolar. E eventuais tentativas de suicídio nunca devem entendidas como meras chamadas de atenção.
No caso das crianças pode ser mais difícil perceber os sintomas de doença, porque cada criança reage à sua maneira e algumas manifestam a depressão através da euforia, alegria e atividade exageradas. Umas podem deixar de comer, outras de brincar. Mas o principal sinal de alerta é sempre uma mudança brusca de comportamento. Independentemente das idades em causa, os pais devem procurar comunicar e compreender os filhos, sem serem demasiado permissivos, mas sem adotar um tom paternalista ou rígido. “A melhor maneira de ajudar é ouvir com atenção e, a partir daí, mostrar que é possível encontrar uma alternativa”.
Fonte: Ionline
Crianças | 0
