Birra: empatia pode ser chave para ajudar seu filho a lidar com essa explosão de emoções

24.set.2018

Imagine a cena: sábado de manhã, shopping center lotado. Na loja de brinquedos, você e o seu filho escolhem um presente de aniversário. Já no caminho para o caixa, ele pede para levar algo também. Quando você explica que não vai dar, abre o berreiro – e todos os olhos se voltam para você, claro. Vergonha define. Mas não estamos falando de você. E sim, da criança. Diante de uma situação dessas, familiar para quem tem filhos pequenos, ele se sente tão mal (ou pior) do que os adultos envolvidos, pode acreditar.

É o que afirma a psicóloga suíço-americana Aletha Solter, especialista em desenvolvimento infantil, que acaba de lançar Cooperative and Connected: Helping Children Flourish Without Punishments or Rewards (“Cooperativos e conectados: ajudando as crianças a florescerem sem punições ou recompensas”, em tradução livre), uma versão atualizada de seu best-seller com o que há de mais recente em pesquisas na área. “É tempo de questionar os métodos tradicionais de educar os filhos e tentar algo diferente. Com o amparo dos pais, eles podem desenvolver todo o seu potencial para aprender, pensar, enfrentar situações de estresse, resolver problemas e se relacionar carinhosamente com os outros”, afirma.

No Brasil, cada vez mais especialistas também defendem esse olhar afetuoso na criação dos filhos. “Chamamos de birra comportamentos infantis como gritar, chorar, se jogar no chão, ser agressivo contra si ou contra os outros, mas tudo isso nada mais é do que a forma de a criança mostrar que algo não está bem e de pedir ajuda”, diz a terapeuta e fonoaudióloga Adriana Fernandes, de São Paulo, criadora do canal Afetoterapia, que busca um envolvimento mais igualitário com os filhos. Daí a importância de exercitarmos a empatia, nos colocando no lugar deles para entender como se sentem nessas situações.

O que funciona contra a birra

Existe uma fórmula para acabar com a birra? A resposta é: depende da criança. Um recente estudo das universidades de Amsterdam e Utrecht (Holanda) em parceria com as universidades de Cardiff e Oxford (Reino Unido) analisou 156 pesquisas de 20 países envolvendo 15 mil famílias com crianças de 2 a 10 anos que apresentavam “comportamentos disruptivos”, entre eles a birra. Os pesquisadores detectaram dois grupos de técnicas mais utilizadas para lidar com o problema: as baseadas no gerenciamento de comportamento (combinados, por exemplo) e aquelas de construção de relacionamento (diálogo, entre outros).

Para crianças que apresentam comportamentos disruptivos com maior frequência, o estudo descobriu que o método mais eficaz é uma mistura das duas estratégias.
O que faz da empatia um ponto essencial para lidar com crianças ditas “birrentas”, especialmente por fortalecer os vínculos familiares. Dentro dessa abordagem há muitas formas de agir. A psicóloga infantil Mayra Gaiato, mestre em psicologia experimental e análise do comportamento pela PUC-SP, sugere três passos. O primeiro deles é a prevenção. Isso mesmo! Para a especialista, os pais devem avisar a criança do que vai acontecer para que ela possa se “preparar”, especialmente em situações que antecedem algo que ela não gosta ou não quer fazer. “Às vezes, é possível usar até mesmo alguns instrumentos, como um timer”, diz. O seu filho chora toda vez que você anuncia que é hora de voltar para casa durante uma festa? Então, quando o horário estiver se aproximando, deixe claro que vocês vão partir dali a cinco ou dez minutos, por exemplo.

Além disso, é preciso se certificar das necessidades do seu filho, tanto as básicas quanto as mais sutis, como seus sentimentos e desejos. “Muitas vezes, a criança dá indícios de que está com algum desconforto antes da explosão”, reforça a terapeuta Adriana. Esses sinais podem variar de uma para outra, claro, mas entre os mais comuns estão: sono, fome, cansaço, aumento da agressividade, mau humor, impaciência e expressão muito intensa de suas vontades. Ou seja, não adianta levar o pequeno para passear bem na hora da soneca que é choro na certa! Com o tempo, vai ficar mais fácil identificar esses “gatilhos”.


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