11.jan.2026

Quando a criança não consegue explicar o que sente: o que os pais precisam compreender
Nem sempre a criança consegue dizer em palavras o que está sentindo. Muitas vezes, o sofrimento infantil não aparece como um pedido claro de ajuda, mas se manifesta por meio de comportamentos que confundem, preocupam ou angustiam os pais.
Birras frequentes, isolamento, agressividade, dificuldades na escola, alterações no sono ou no apetite podem ser formas que a criança encontra para expressar algo que ainda não consegue simbolizar. Isso não significa, necessariamente, que exista um problema grave, mas indica que algo do seu mundo emocional precisa ser escutado.
O sofrimento infantil nem sempre aparece na fala
Na infância, o aparelho psíquico ainda está em construção. A criança sente intensamente, mas nem sempre dispõe de recursos internos para organizar, compreender e comunicar esses sentimentos. É por isso que, muitas vezes, o sofrimento aparece no corpo, no comportamento ou na relação com o outro, e não na fala.
Do ponto de vista da psicanálise, o sintoma infantil pode ser entendido como uma forma de comunicação. Quando a criança não consegue dizer o que sente, ela mostra. O que aparece como “dificuldade” ou “problema” pode ser, na verdade, um pedido silencioso de ajuda.
O lugar dos pais diante da dificuldade emocional da criança
Nessas situações, é comum que os pais se sintam inseguros, culpados ou perdidos. Surgem perguntas como: “Será apenas uma fase?”, “Estamos exagerando?”, “Onde erramos?”. Esses questionamentos fazem parte do cuidado, mas é importante lembrar que o sofrimento infantil não deve ser minimizado nem tratado apenas como algo passageiro, sem escuta.
O papel dos pais não é exigir que a criança explique o que sente, mas oferecer um ambiente suficientemente seguro para que ela possa, aos poucos, encontrar formas de se expressar. Isso inclui acolher emoções, mesmo quando elas são difíceis, respeitar o tempo da criança e evitar interpretações apressadas.
Quando o adulto consegue nomear sentimentos de forma simples, sem impor significados, contribui para que a criança construa sua própria linguagem emocional. A escuta acontece no cotidiano, nas pequenas interações, no modo como o adulto sustenta a presença e a disponibilidade.
Quando a psicoterapia infantil se torna importante
Em alguns momentos, o acompanhamento psicológico pode ser fundamental. A psicoterapia infantil oferece um espaço protegido onde a criança pode brincar, se expressar e elaborar aquilo que ainda não consegue colocar em palavras. O brincar, na clínica, é uma forma legítima de comunicação do mundo interno.
O terapeuta atua como alguém que ajuda a traduzir, sustentar e dar sentido às experiências emocionais da criança, sem pressa e sem julgamentos. Esse processo favorece o desenvolvimento emocional e amplia os recursos psíquicos para lidar com as angústias.
Buscar ajuda profissional não representa uma falha dos pais, mas um gesto de cuidado. Quando o sofrimento é escutado, as possibilidades de desenvolvimento saudável se ampliam, fortalecendo a relação da criança consigo mesma e com o mundo.
Abordagem teórica
Este artigo é fundamentado na psicanálise, com contribuições de autores como Sigmund Freud, Donald Winnicott e Françoise Dolto, que compreendem o sofrimento infantil como parte do processo de constituição psíquica e destacam a importância da escuta no desenvolvimento emocional da criança.
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