Transtornos de ansiedade infantil e seus tratamentos

11.ago.2014

A ansiedade é um transtorno que se destaca na atualidade como consequência do mundo agitado, cheio de tensões. Este transtorno vem afetando a população de um modo geral, independente da idade. Abordaremos a ansiedade no contexto infantil, pois cada vez mais crianças vêm sendo atingidas por transtornos psíquicos dessa natureza (Sousa, Petersen, Behs, Manfro & Koller, 2012; Silva & Figueiredo, 2005).

Em termos gerais a ansiedade é entendida como um sentimento vago e desagradável de medo, apreensão, caracterizado por tensão ou desconforto derivado de antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho (Castillo, Recondo, Asbahr & Manfro, 2000; Caíres & Shinohara, 2010). Isso ocorre com o propósito de preparar o organismo para reação de proteção diante de situações de perigo. Mecanismos cognitivos, motivacionais, afetivos ou emocionais e comportamentais são ativados juntamente com as respostas fisiológicas e é nesse conjunto de modificações emocionais e físicas é que encontramos a base dos transtornos de ansiedade (Assis, Ximenes, Avanci, & Pesce, 2007; Mutschele, 2001; Sousa, et al., 2012).

Segundo Caíres e Shinohara (2010) a ansiedade é caracterizada por manifestações somáticas e fisiológicas como: falta de ar, taquicardia, vasoconstrição ou dilatação, tensão muscular, parestesias, temores, sudoreses e tontura; e as manifestações psíquicas como inquietação interna, apreensão e desconforto mental.

A ansiedade vem a ser considerada patológica quando se torna uma emoção desagradável e incômoda, que aparece de maneira exagerada, desproporcional em comparação ao estimulo, e que traz prejuízos ao indivíduo quando esta o impede de realizar tarefas cotidianas, em qualquer faixa etária observamos uma interferência na qualidade de vida, conforto emocional ou o desempenho diário do indivíduo (Castillo et. al., 2000).

Em crianças, principalmente nas menores verifica-se que diferentemente dos adultos, estas não conseguem reconhecer seus medos como exagerados, ou irracionais. O seu desenvolvimento emocional implica sobre as causas e a maneira como os medos e preocupações tanto normais como patológicas irão se manifestar (Asbahr, 2004).

Relatos de estudos afirmam que crianças com transtorno de ansiedade, tem mais dificuldade para fazer amizades, do que as que não apresentam este transtorno, também pode-se observar um impacto na vida social e escolar que trarão consequências futuras sérias a estas crianças. (Assis et al., 2007).

De acordos com estudos de Castillo, et al. (2000) há pelo menos dois tipos de transtornos ansiosos que atingem frequentemente a população infantil que são os: Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno de Ansiedade de Separação (TAS).

Epidemiologia

De acordo com Sousa et al. (2012), avaliando o cenário global de transtornos mentais, dados internacionais mostram que as taxas de prevalência de transtornos de ansiedade na infância e adolescência variam entre 6% a 20%.

Segundo um estudo de Fleitlich-Bilyk e Goodman (conforme citado por Vianna, Campos & Fernandez, 2009) estima-se no Brasil que os índices de prevalência de ansiedade em crianças e adolescentes é de 4,6% em crianças.

A estimativa de que Crianças e adolescentes em algum momento de sua vida preencham os critérios diagnósticos para pelo menos um dos Transtornos de Ansiedade é de aproximadamente 10%. Os quadros mais frequentes de ansiedade são: o Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno de Ansiedade de Separação (Asbahr, 2004).
Padrão Familiar

Segundo estudos de Vitolo, Fleitlich-Bilyk, Goodman e Bordin (2005) a ansiedade em crianças são reflexos das inconstâncias do ambiente, suas variáveis previsíveis e imprevisíveis, bem como estão associadas com a ansiedade dos pais, nesse sentido também pode haver uma influência tanto genética como ambiental.

No Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais Texto Revisado, 4ª edição da Associação Psiquiátrica Americana (1994), encontramos que a ansiedade como traço tem uma associação familiar. Achados inconsistentes foram relatados, com relação aos padrões para Transtorno de Ansiedade Generalizada dentro de famílias, não tendo sido encontrada uma agregação familiar específica na maioria dos relatos.

Ainda com base no DSM-IV-TR (1994), o Transtorno de Ansiedade de Separação é mais comumente visto em parentes biológicos em primeiro grau do que na população em geral, e talvez seja mais frequente em filhos de mães com Transtorno de Pânico.
Transtorno de Ansiedade Generalizada e Transtorno de Ansiedade de Separação

Segundo o DSM-IV-TR (1994), as características do Transtorno de Ansiedade Generalizada envolvem preocupação excessiva, com prejuízo funcional em vários aspectos como a segurança pessoal, interações sociais, eventos futuros ou mesmo passado, que em grande parte das situações são acompanhados por sintomas somáticos, como cefaleias e dores de estômago. Muitas pessoas com Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), afirmam ter sentido ansiedade e nervosismo durante todo seu histórico de suas vidas. No grupo de crianças o Transtorno de Ansiedade Generalizado, a ansiedade e preocupação frequentemente envolve a qualidade da performance escolar ou eventos esportivos, mesmo quando seu desempenho não é avaliado por outros. Pode ocorrer preocupação excessiva com a pontualidade ou eventos catastróficos tais como terremotos ou guerras nucleares. Estas crianças podem ainda evidenciar excessivamente conformismo, perfeccionismo e insegurança, sendo tendenciosas a refazerem tarefas em razão de sua preocupação com um desempenho menos que o perfeito. São excessivamente zelosas na busca pela aprovação e demandam constantes garantias sobre o seu desempenho e outras preocupações. Este transtorno manifesta-se com prevalência no sexo feminino aproximadamente 55-60%.

Fonte: Portal Escola


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