24.fev.2012
Por mais que, para alguns, isso não passe de um mito, todos os anos, após as férias de verão e de inverno, a síndrome pós-férias – uma das mais temidas pelos profissionais – ressurge com todo o vigor. Tristeza, apatia, sono, irritabilidade, cansaço, falta ou excesso de apetite e problemas de concentração são os sintomas mais comuns, segundo os especialistas. “Normalmente eles desaparecem em poucos dias ou em duas ou três semanas, nos casos mais extremos”, afirma a psicóloga do Instituto Superior de Estudos Psicológicos (Isep), Noemí Fernández.
Esta situação parece afetar mais as mulheres do que os homens. Segundo uma pesquisa realizada pela empresa de trabalho temporário Alta Gestión, 51% das mulheres têm mais dificuldade do que os homens (48%) para voltar à normalidade depois das férias. Este estudo também revela que o transtorno, assim como a crença na existência do estresse pós-férias, diminui conforme aumenta a idade do funcionário.
A situação mais difícil é ajustar-se novamente ao horário de trabalho, segundo relataram 40% dos entrevistados, e a volta à rotina diária (36%). Outras situações que dificultam o retorno ao trabalho são as relações com os colegas e o chefe, o transporte, o trânsito e o ritmo de trabalho.
As experiências de especialistas mostram que estes empregados que estão regressando após um período de férias “não têm vontade de se relacionar com os demais colegas e são tomados por um sentimento de pessimismo profissional”.
Os psicólogos explicam que “a sociedade procura evitar o sofrimento de todas as formas, quando o razoável seria pensá-lo como parte da vida”. Há cada vez menos tolerância com o estresse. Neste sentido, as pessoas precisam de tempo para se adaptar a qualquer mudança. Assim, podemos entender a síndrome pós-férias como a síndrome de segunda-feira de manhã ou mesmo a síndrome pré-férias, já que esta também implica em uma mudança de rotina.
Para evitar este tipo de estresse, Fernández recomenda que as férias sejam divididas em vários períodos menores. Além disso, segundo ela, é aconselhável não mudar muito a rotina diária durante as férias, passar alguns dias em casa antes de voltar ao trabalho (caso tenha ido viajar) e, finalmente, procurar ajustar-se sempre ao orçamento familiar, para não ter que enfrentar dificuldades econômicas na volta.

Conselhos úteis
Ter a mente positiva é um deles. Para isso, ser otimista é um elemento-chave, para que o profissional não acabe sofrendo de estresse ou das tensões típicas do trabalho.
O empregado deve esquecer que as próximas férias estão longe e pensar no quão bem se sente e na vontade com que volta ao ambiente de trabalho depois de se descansar. Outro remédio pode ser fracionar as férias para não sofrer tanto os seus efeitos.
Outra medida interessante é planejar as tarefas e dar-lhes uma ordem de importância. Saber qual é a principal vai ajudar a estabelecer diretrizes de funcionamento que evitem uma possível depressão. É importante não tentar acumular muitas tarefas de uma vez só, mas também planejar-se e realizar aquelas que necessitem de uma resposta imediata.
Outro ponto para se ter em mente é que se a volta ao trabalho acontecer em uma segunda-feira, a depressão pode ser maior. Assim, uma boa idéia seria voltar em um dia diferente da semana.
Junto a isso, o profissional deve se preocupar com a adaptação. Uma vez que se chega ao local de trabalho é importante conversar com os companheiros para saber o que houve em sua ausência, quais aspectos urgentes rodeiam o ambiente de trabalho e o que se deve ter em mente na hora de elaborar uma agenda imediata.
Outro ponto importante é o trinômio “voltar para casa, descansar e trabalhar”. Estender as férias até o último minuto não é a opção mais recomendável, devido principalmente ao fato de se voltar ao posto de trabalho sem descansar e com uma combinação de estresse em casa e no trabalho. É recomendado voltar dois ou três dias antes da reincorporação para um planejamento correto.
Outra dica é trabalhar de forma progressiva. Estruturar as responsabilidades progressivamente gera uma sensação de controle no indivíduo. Assim, o aconselhável é trabalhar de maneira gradual. Isso fará com que o rendimento vá aumentando pouco a pouco.
Conforme especialistas, quando os sintomas da síndrome pós-férias não desaparecem depois de duas semanas, é aconselhável buscar ajuda profissional. A depressão e o estresse são os principais responsáveis pelas faltas ao trabalho.
Afinal, tantos meses de trabalho para tão poucos dias de férias que, ainda que desfrutados ao máximo, passam muito rápido. Depois, outra vez a dura rotina, algo que para muitos é difícil de suportar. Sem dúvida, a depressão pós-férias existe. É preciso saber lidar com ela.
Fonte: Gazeta Mercantil
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Ana Carolina Principessa (CRP 06/83167) é psicóloga em consultório particular onde atende crianças, adolescentes, adultos e idosos em Santos (SP).[/author_info] [/author]
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