Entenda por que algumas crianças têm um amigo imaginário

5.ago.2015

Seu filho de repente lhe apresenta um novo confidente e parceiro para brincadeiras. Entretanto, você não o vê e muito menos pode interagir com ele, pois é um amigo imaginário. O surgimento dessa “criatura” pode ser preocupante para alguns pais de primeira viagem, mas é algo comum às crianças.

Muitas vezes, o amigo imaginário está associado a um brinquedo muito importante para o pequeno, como por exemplo um bicho de pelúcia, ao qual é dado nome, personalidade e capacidade de comunicação. A história em quadrinhos do menino Calvin com seu tigre Hobbes é um exemplo.

Como lidar com a situação?

O personagem é invisível. Ele é apontado ou referido pela criança em conversas com outras pessoas, ou com quem brinca diretamente. Possui um ar autêntico, mas sem uma base real aparente. O amigo imaginário, quando surge, é na época pré-escolar da criança, com pico de frequência por volta dos quatro anos.

Os companheiros invisíveis desempenham um papel diário na vida dos pequenos e rapidamente são incluídos na dinâmica familiar. Não se espante se lhe for reservado um lugar na mesa na hora das refeições, ou um espaço na cama e em outros cômodos da casa.

O amigo imaginário pode ser uma maneira da criança para lidar com espaços vazios de relacionamento, assim como entender seus próprios sentimentos ou uma situação que está vivenciando. Casos de separação dos pais, morte de ente querido e mudanças de casa ou escola também podem ser incentivos à criação do personagem fictício.

Procure entender qual a principal característica do amigo – se é outra criança, um animal ou um ser inventado pelo pequeno. Tente interagir e seu filho perceberá que tem o apoio dos pais. Porém, cuide para que a criança não coloque a culpa de seus atos em cima do personagem. Dê a lição sem entrar no mérito do culpado.

A função do amigo imaginário

Em certa medida, o amigo imaginário é retratado de forma negativa em filmes e até mesmo desenhos, sendo demonstrado como sinal de patologia mental. Isso preocupa os pais, pois os adultos não associam a imagem do personagem a características positivas, como a capacidade de socialização, extroversão e criatividade do filho.

Em um estudo realizado pela Universidade de Leicester, no Reino Unido, foi apontado que 46% das 1,8 mil crianças entrevistadas, entre 5 e 12 anos, já brincaram com um amigo imaginário. Em outra pesquisa, apresentada no congresso da Sociedade Britânica de Psicologia Infantil, 88% dos pais participantes não viam problema na existência do personagem na vida dos filhos.

A pesquisa intitulada ‘O Papel do Fenômeno Amigo Imaginário no Desenvolvimento Infantil: uma perspectiva de psicólogos de orientação psicanalítica’, de André Fischborn e Vanessa Beckenkamp, apontou que esse é considerado um recurso psíquico positivo e saudável para o desenvolvimento. O trabalho foi apresentado ao curso de Psicologia das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), no Rio Grande do Sul.

Inclusive, foram encontrados resultados de que o amigo imaginário traz ganhos significativos para o desenvolvimento cognitivo, como a melhora de habilidades sociais e da empatia, além de alívio emocional.

Fonte: Vivo Mais Saudável

Você possui filhos interagem com um amigo imaginário? Entre em contato com a Ana Psicóloga, psicóloga infantil em Santos, e agende um atendimento.


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